quinta-feira, 8 de setembro de 2011

PIBIC 2010/2011

O aluno do 6.o período de História Fábio Cruz já entregou seu relatório final de pesquisa para seu orientador, prof.a Wilson Maske, e irá apresentá-lo no SEMIC no mês de outubro. Seu trabalho faz parte do Grupo de Pesquisa História, Cultura e Política, na linha de pesquisa, História, Política e Relações Internacionais. Apesar de já estar se formando, o Fábio continua suas pesquisas, agora sob a orientação da professora Valquíria Renk. Parabéns.


MISSÕES LUTERANAS E IMPERIALISMO ALEMÃO NO BRASIL: A AÇÃO MISSIONÁRIA DA GOTTESKASTEN NO PARANÁ E EM SANTA CATARINA (1905-1914)



A pesquisa tem como tema “Missões Luteranas e o imperialismo alemão no Brasil: A ação missionária da Gotteskasten no Paraná e em Santa Catarina (1905-1914)”. A Alemanha unificada em 1871 desenvolveu uma política externa com um viés especialmente imperialista, no qual pretendia desenvolver um papel de potência mundial. Nessa visão, assim como outras potências imperialistas da época, a Alemanha via-se também incumbida de uma “missão civilizadora”, que incluía desenvolver mecanismos de amparo religioso, auxilio social, educacional e sanitário das populações colonizadas, mas também consolidar sua influência nas regiões em que atuava.



Para tal, contava com a ação da Igreja Luterana e suas instituições, ligadas ao Estado alemão. O objetivo específico do presente trabalho é avaliar, por meio de consulta às fontes documentais, se a ação da Gotteskasten no Paraná e em Santa Catarina, teve um caráter de servir como um mecanismo de imperialismo indireto da Alemanha, entre 1905 e 1914. Foram realizadas leituras que abordam de maneira geral a emigração europeia e a imigração alemã no Brasil e também de duas fontes primárias, recomendadas pelo professor orientador, que abordam a instituição missionária pesquisada. A Gotteskasten teve uma importante atuação no Paraná e em Santa Catarina. O sínodo deixou muitas marcas por onde passou, como a fundação de escolas e igrejas. A Alemanha através de instituições mantenedoras prestava ajuda financeira para as comunidades de imigrantes no sul do Brasil inclusive para a Gotteskasten, para manter viva a língua, costumes, enfim, a cultura germânica em geral com objetivos de utilizar a emigração, como um mecanismo indireto de propagação da cultura e de influência alemã no Brasil. A Gotteskasten oferecia um apoio social que o Estado brasileiro estava longe de atender e assim, mantinham os imigrantes alemães no Brasil e seus descendentes conectados à Alemanha, como portas para a entrada de produtos alemães no país.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

PIBIC 2010/2011 projeto professor Wilson

Na postagem anterior havia me referido ao projeto apresentado pelo professor Wilson Maske para ser desenvolvido no ano 2010/2011. Segue um resumo de sua pesquisa atual.

BRASIL E ALEMANHA IMPERIAL (1871-1918): DIPLOMACIA, IMIGRAÇÃO E IMPERIALISMO

O objetivo do presente projeto é estudar as relações históricas entre o Brasil e a Alemanha, no período compreendido entre 1871 (unificação dos Estados Alemães e fundação do Império Alemão por Bismarck) e 1918 (estabelecimento do regime republicano na Alemanha). O tema, em certos aspectos, é inédito, pois os estudos que contemplam a história das relações internacionais do Brasil no citado período, o avaliam na sua totalidade, ou estudam temas mais específicos, como as relações políticas, econômicas ou culturais de nosso país com seus principais parceiros, como os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, grandes potências nessa fase.



O olhar que se pretende desenvolver nesse estudo historiográfico é o da perspectiva brasileira, por meio dos documentos diplomáticos brasileiros, artigos de periódicos da época, dissertações, teses e outras fontes secundárias que abordam o 
assunto.



Em função dessas reflexões emergem as questões centrais da história diplomática: como agem os atores responsáveis pela condução da diplomacia e das relações internacionais? Que fatores foram determinantes para tal ação? Porque agora e não antes? Com a atenção voltada aos policy makers, podemos questionar que horizontes de observação lhes foram oferecidos? Que mentalidades tiveram influência ou mesmo determinaram suas decisões? Os interesses nacionais surgem por meio das influências que são geradas nos diferentes grupos de pressão no seio do Estado e são, por sua própria natureza, bastante flexíveis e mutáveis. Quais são os fatores que determinam que Estados busquem aproximação, estabeleçam relações políticas, econômicas e culturais, entrem em confronto, rivalizem entre si, declarem e estabeleçam a paz? Como princípios contraditórios de poder e moral, pragmatismo e idealismo, interferem nas negociações e na elaboração da política externa e na condução das relações internacionais?





terça-feira, 6 de setembro de 2011

PIBIC 2010/2011 trabalho da aluna Siloé

A aluna pesquisadora que agora cursa o 4.o período de História na PUCPR, Siloé de Souza Almeida, apresentou seu relatório final de PIBIC e já foi selecionada para continuar suas pesquisas nos anos 2011/2012. Nesse primeio momento teve bolsa financiamento da PUCPR a acaba de ser selecionada para continuar suas pesquisas com bolsa da Fundação Araucária. Parabéns Siloé e também parabéns a sua orientadora prof.a Maria Cecilia Pilla.
Segue um pequeno resumo das pesquisas da aluna para dar uma notícia de suas pesquisas.
 O CONCEITO DE HOMEM HONESTO NA FRANÇA ILUMINISTA (SÉCULO XVIII)
 
Na sociedade absolutista francesa, o homem dito “honesto” cultivava um repertório de atitudes que garantia sua permanência na corte ou nos salões parisienses, com isto, sua imagem conquistava prestígio e favores, algo muito importante quando num período em que os títulos de nobreza já não são suficientes para garantir o sucesso nesses âmbitos. Buscando formar este personagem, vários manuais ou tratados são lançados com conselhos de comportamento na tentativa de moldar um homem digno de fazer parte da sociedade.

A presente pesquisa buscou conhecer conceitos norteadores do “homem honesto” contidos em dois manuais de civilidade que estavam em circulação durante o século XVIII na França, são eles: Manuel Moral suivi du Manuel de l’Honnête Homme, de Abram-Louis Girardet Pierre e Manuel de L’Honnête Homme de St. Lambert. Buscou-se um referencial teórico-metodológico que possibilitasse a contextualização do período e em conjunto com a leitura das fontes trouxesse caminhos para a análise proposta. Tendo em vista as leituras das fontes e referencial teórico, pôde-se encontrar modelos de valores para o “homem honesto”, percebendo que este homem era acima de tudo um cristão. A análise dos manuais mostrou que mesmo tendo em seus títulos a menção ao “homem honesto”, poucas vezes os autores utilizam o termo, demonstrando que possivelmente outros termos poderiam ser usados para distinguir este mesmo personagem, como “homem benevolente”, “homem de espírito” ou “homem prudente”. Nas entrelinhas pode-se perceber que o “homem honesto” é antes de tudo um cristão virtuoso e que ser caridoso, prudente, tolerante, amante da verdade, leal, eram características decorrentes de sua qualidade cristã.


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PIBIC 2010/2011

Na continuidade das pesquisas junto ao LEPHIS e o Grupo de Pesquisa, História, Cultura e Política, no ano de 2010 os professores Wilson Maske e Maria Cecilia Pilla apresentaram projetos de pesquisa próprios e para alunos a serem orientados. Como resultado foram selecionados 3 trabalhos, dois alunos a serem orientados pelo prof. Wilson e uma aluna pela professora Maria Cecilia.

Segue um pequeno resumo do projeto apresentado pela professora Maria Cecilia e na sequência apresentaremos os outros projetos e pesquisas que estão terminando nesse ano de 2011 com suas apresentações no SEMIC.
Da civilidade do silêncio à polidez das palavras: o homem-honesto em tempos de iluminismo (França – século XVIII)



Na sociedade de corte, ou na prática da vida mundana da Idade Moderna procura-se constantemente perceber o invisível, o oculto, a partir daquilo que se deixa à mostra: gestos, maneiras, vocabulário, formas de comer, cumprimentos, mesuras, e por aí vai. Ou seja, é a leitura do todo, em cada contenção, deferência; em cada palavra exposta, omitida; há um significado a ser decifrado. A partir dessa premissa, em pesquisas já em andamento tenho observado as  noções  conceituais  referentes  ao  controle  de si, em especial, do calar-falar no exercício da conversação, como estratégia de construção do chamado “homem honesto” na França do século XVII. Tenho buscado conhecer, a partir da análise das fontes, – manuais de civilidade mundana como os de Antoine Courtin e Nicolas Faret e manuais de civilidade cristã como o de Jean Baptiste de La Salle – as orientações nelas contidas, os preceitos que garantiriam o desenvolvimento de habilidades capazes de decifrar, de ler o grupo de pessoas e os gestos que as compõem. Assim, num certo sentido, este projeto busca dar continuidade a essas pesquisas.  Pretende  tratar  dos preceitos referentes  ao  controle  de si, em especial o controle da palavra no exercício da conversação mundana como táticas de manutenção ou obtenção de poderes numa sociedade francesa do século XVIII, período em que questões iluministas estão emergindo e consolidando-se.


Constituem  fontes  deste  trabalho  literaturas de civilidade, que circulavam na França do século XVIII, que dedicaram um ou mais capítulos sobre a arte da conversação. Em especial, “Ensaios sobre diferentes assuntos de literatura e de moral”, do Abade Nicolas-Charles-Joseph Trublet (1735),; “A arte de calar” do Abade Dinouart (1771); “De La Science Du monde er des connaissances utiles à La conduite de La vie”, de François Callières (1717); “Des hommes, tels qu’ils sont et doivent être », de Jean Blondel (1733) ; « L’art de connoistre les hommes » de Louis Debans (1702) ; « Manuel Moral suivi de Manuel de l’honnête homme » de Pierre Dumoulins (1778) ; « La religion de l’honnête homme » de Marquis Caraccioli (1766) ; « Manuel de l’honnête homme » de François Grasset (1770) ; e finalmente « Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens ; precedido de Discurso sobre as ciências e as artes” de Rousseau (1749).

O século XVIII é o período em que a polidez é objeto de intensa reflexão e debate. A civilidade é somente uma aparência? As pessoas que dela fazem uso o fazem tão somente por hábito ou por interesse? Seria a grosseria uma forma concreta de oposição, de contestação a um mundo desigual? A polidez é incompatível aos ideais iluministas?




domingo, 4 de setembro de 2011

pibic 2009/2010

 No SEMIC do ano de 2010 a aluna pesquisadora Taiane Poi, orientanda da professora Maria Cecilia Pilla, apresentou seu trabalho em forma oral e em pôster. A aluna teve o financiamento de suas pesquisas em forma de bolsa da Fundação Araucária. No mesmo ano de 2010, quando terminou seu curso de graduação, ganhou o prêmio de melhor aluna denominado Marcelino Champagnat, que dá direito ao aluno de cursar, sem custos, um mestrado na PUCPR.

Segue um resumo de seu trabalho de pesquisa contido em seu pôster.


CIVILIDADE CRISTÃ EM JEAN BAPTISTE DE LA SALLE


Na passagem da Idade Média para a Idade Moderna, o uso da força vai sendo deixado de lado nas relações em sociedade, desenvolvendo-se um tipo de conduta a courtoisie. Essa nova forma de conduta modificava as formas sociais e concomitantemente foi produzido vários manuais de conduta e comportamento. Essa pesquisa tem como fonte principal o “Guia das Escolas Cristãs” produzido pelo cônego Jean-Baptiste de La Salle. O Guia tornou uma espécie de livro didático para os Irmãos. A pesquisa traça os preceitos contidos no manual de La Salle e a relaciona com a construção de modelos de sociabilidade que valorizavam e reconheciam no autocontrole uma virtude Cristã.Utilizando referencial teórico reconhecido no mundo acadêmico, a pesquisa tem embasamento puramente teórico. O referencial teórico contextualizou a pesquisa em vários aspectos. O principal material utilizado foi a fonte: Guia das Escolas Cristãs que traça perfeitamente os preceitos Cristãos. O Guia das Escolas Cristãs nos revela modelos de comportamentos em sala de aula que nos remete a uma relação com os modelos de sociabilidade, como por exemplo a presença do método simultâneo nos mostra a preocupação de La Salle de estudar todos juntos com um único professor ou a autoridade exigida pelo professor nos mostra a preocupação de ter disciplinariedade sempre, levando em conta pontualidade e o castigo, caso essa autoridade fuja de controle. Esboçar uma relação entre o Guia e o modelo de sociabilidade torna-se fácil, quando percebemos que La Salle, em seu Guia, utiliza de vários aspectos que produziram efeitos em sociedade




sexta-feira, 2 de setembro de 2011

pibic 2009/2010

No SEMIC do ano de 2010 as minhas alunas pesquisadoras, Vanessa e Taiane apresentaram seus trabalhos em forma de pôster e também oralmente. Segue o resumo do trabalho desenvolvido pela Vanessa Siqueira, que atualmente está cursando a nossa Especialização em História Social da Arte.

Tratados de Civilidade: França séculos XVI ao XVIII



O que você entende por conceito de civilidade? Estudiosos da Idade Moderna e Contemporânea, têm buscado em suas pesquisas nos explicar como a sociedade mudou analisando os significados de civilidade, cortesia, polidez e etiqueta. Norbert Elias (1990) no primeiro volume do “Processo Civilizador” analisa a  trajetória de alguns dos principais manuais de civilidade escritos na passagem  da  Idade Média  para  a  Idade Moderna. Diante  da  lenta  formação  do Estado  e  o  conseqüente monopólio  da  administração  da  violência  assumida  por este,  a  nobreza  cortesã,  deverá  aprender  a  controlar  seus  impulsos,  pois,  a contenção passará a ser uma virtude a ser cultivada.



Com o objetivo de melhor compreender as questões como padrões de conduta em determinadas épocas foi proposto  um  levantamento bibliográfico dos manuais que circulavam na França dos séculos XVI ao XVIII. O estudo dos manuais de civilidade nos traz propicia várias reflexões que nos levam a analisar padrões estabelecidos numa época, em especial, o espaço das cortes frente ao chamado “processo civilizatório”.

Desse levantamento inicial percebeu-se que três títulos acabaram por influenciar todos os que os seguiram. São eles: “O Cortesão” de Baltasar Castiglione, “A Civilidade Pueril” de Erasmo de Rotterdam e “Galateo” de Giovanni della Casa, todos do século XVI, mas que continuaram a circular nos séculos seguintes.



Os manuais do século XVII deixam bem claro seu maior objetivo, ensinar um convívio adequado na corte, especialmente na França, onde essas obras se dirigem com mais clareza e em maior número àqueles que desejavam se aproximar da vida da sociedade de corte e de todo o prestígio que ela representava e oferecia.
Conter as posturas e manter-se atento a tudo e a todos era um trabalho difícil, pois tudo e todos estavam sendo vigiados. Todavia os resultados encontrados por aqueles que se entregavam aos “sacrifícios” das boas maneiras eram significativos, pois se comportando como o esperado as chances de serem aceitos aumentavam e com isso as possibilidades de ascensão social e obtenção de privilégios.




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Pesquisas PIBIC 2009/2010

Junto às atividades do Grupo de Pesquisa "História, Cultura e Política", na linha, "História, Poder e Sociabilidades", a prof.a Maria Cecilia Pilla, líder do grupo, ofereceu um projeto de pesquisa e junto a ele dois projetos para serem desenvolvidos por alunos do curso de História da PUCPR.
Nessa primeira notícia veiculamos o projeto desenvolvido pela professora Maria Cecilia e na sequência falaremos sobre os projetos que nesse ano foram aprovados e desenvolvidos.

O projeto tem como título: "O CONTROLE DO SILÊNCIO E OS DOMÍNIOS DO OLHAR: ESTRATÉGIAS PARA CONSTRUÇÃO DA IMAGEM DO HOMEM HONESTO NA FRANÇA DOS
SÉCULOS XVI AO XVIII".

Este projeto quis tratar das noções conceituais referentes ao controle de si, em especial, – do olhar e do calar-falar - como estratégia de manutenção ou obtenção de poderes. Constituíram fontes deste trabalho manuais de civilidade, guias de civilidade cristã que circulavam na França dos séculos XVI, XVII e XVIII. Em especial “O cortesão”, de Baltasar Castiglione, em 1528, “Galateo” de Giovanni della Casa, em 1558, “A civilidade pueril” de Erasmo de 1530, o “O honesto homem ou a arte de agradar à corte” de Nicolas Faret, de 1630; “O novo tratado da civilidade que é praticado na França entre as pessoas honestas, de 1671, escrito por Antoine Courtin e “Régles de la bienséance de la civilité chretienne” de Jean-Baptiste de La Salle em 1703.





O estudo está delimitado no período que abrange os séculos XVI, XVII e XVIII, época em que na
França se verifica a grande preocupação de adequação dos comportamentos como condição indispensável para “estar” nas cidades e de freqüentar os espaços de sociabilidade aristocrática bem como alimentar a pretensão de “estar” na corte.



Mais do que a análise e o relato específico dos preceitos é importante refletir sobre o todo que envolve a construção do conjunto das normas sociais. As relações entre cultura e poder; experiência e desconhecimento; traquejo e naturalidade dos gestos e assim procurar perceber no controle do olhar e do falar calar um importante instrumento de identificação, integração e de exclusão social. Para tanto é preciso conhecer as normas que se referem a esses temas (olha e falar-calar) contidas nos manuais de civilidade e guias de civilidade cristã disponíveis na França dos séculos XVI ao XVIII.